Há cerca de uma semana, a filha da minha "Tia Velha" (a minha melhor amiga, a minha confidente, a minha tia que embora com 83 anos ia buscar pãozinho quentinho para a sobrinha lanchar e que adorava a tão sua "Ritinha") que faleceu já a algum tempo, disse uma coisa a uma pessoa que estava connosco, que fiquei a pensar:
"Acredita, a Rita gostava mais da minha mãe do que da sua própria avó!"
Esta frase, tanto me fez ficar com as lágrimas nos olhos, como me fez tentar passar mais tempo com a que é mesmo minha avó. Sei que ela já me fez muita coisa, das quais se calhar até se arrepende, e eu também já lhe disse muita coisa que me arrependo profundamente. Mas, a verdade é que eu não consigo nem vou conseguir apagar tudo de mal que ela fez na minha memória mas, também, cabe a mim, tornar essas memórias um bocadinho menos dolorosas e pensar que neste momento já tenho poucos anos com ela, e que tenho que conviver com ela, mais que não seja para não me sentir culpada dela não ter convivido com a neta nos últimos meses de vida, como me pesa na consciência, a minha ausência durante 4 meses, antes do meu avô falecer.
A vida é feita de encontros e reencontros, por isso, se eu acreditasse em Deus, acreditava que a minha "Tia Velha" estaria orgulhosa de mim neste momento e que o meu avô estaria a pensar que sou doida de tentar retomar tudo o que perdi há 11 anos atrás. Mas, se pudesse falar com ele apenas lhe dizia "Quero que tenhas orgulho na tua netinha, e eu adoro-te! *.*" e se pudesse falar com a minha tia dizia "Quando partiste levaste muito de mim, foste e serás sempre a minha melhor amiga! <3".
Tanto um como outro, fazem-me muita falta e claro o meu tio, que embora deficiente, me fazia questão de mostrar um sorriso quando via a sobrinha a entrar pelo quarto para brincar com ele... "Tio, fiquei com os teus peluches, todos os dias olho para eles e penso no que me ensinaste, mesmo sem falares, foste muitas vezes o melhor conselheiro e um dia, um segundo sobrinho teu há-de brincar com os teus peluches e perceber a importância que tens na minha vida!"
E pronto, isto tudo, porque parecendo que não, há quem compreenda a minha ausência de sentimentos pela minha avó! E, também, porque é bom recordar, embora por vezes o passado esteja bem onde está... Mas para se viver o futuro, tem que se conviver bem com o passado :)
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